Menu principal
  | » | Página principal
  | » | Pinturas
  | » | Esculturas
  | » | Ateliês
  | » | Textos
  | » | Poesias
  | » | Eventos
  | » | Galeria de fotos
  | » | Mural de recados
  | » | Currículo
  | » | Contato
Destaque em esculturas
 
Você esta na seção textos
Titulo: A encantada Mariana e o virtuosismo de Layon

UMA VIAGEM SURPREENDENTE: A ENCANTADA MARIANA E O VIRTUOSISMO DE ELIAS LAYON
               
Visitar Minas Gerais é sempre um prazer, sobretudo quando o destino escolhido é o das cidades históricas mineiras.
Muito se tem falado sobre Ouro Preto, jóia do mais puro barroco brasileiro e, talvez, um dos mais lindos complexos arquitetônicos do País. Tudo que se puder dizer de positivo ou mostrar de maravilhoso dessa cidade é insuficiente para traduzir a beleza das suas igrejas, a imponência dos seus monumentos, edifícios públicos e museus, além da atmosfera peculiar que se experimenta quando por lá se passeia pelas suas ruas estreitas emolduradas por exuberante e preservado casario do mais genuíno Brasil dos séculos passados.
Não muito longe dali e a apenas alguns quilômetros de distância de Ouro Preto, encontramos uma outra jóia mineira, a surpreendente Mariana, um desafio a mais para o observador interessado em desvendar-lhe os excepcionais segredos.
Além das suas belas igrejas e do seu esplêndido Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, é de lá que ecoam os sons mais refinados da boa música erudita universal em um dos poucos órgãos históricos existentes no Brasil, um magnífico Arp Schnitger, presente de D. João V à primeira capital das Minas Gerais, instalado por Manoel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho .
A encantada Mariana é uma cidade memorável. Assistir a um concerto de música clássica da organista Elisa Freixo na sua igreja matriz – Catedral da Sé de Nossa Senhora da Assunção -, temperado com a excelente e pouco conhecida música barroca brasileira, é algo que agrada aos ouvidos, enaltece os ouvintes e alimenta a alma.
Um outro aspecto peculiar dessa cidade e sobre o qual queremos nos deter é o seu movimento artístico e cultural. A extensa produção dos ateliês de artesãos, escultores, santeiros e pintores enriquece a cidade e traduz a glória do passado e a pujança artística do presente.
Nesse quadro inovador, há um nome que se distingue e ganha novas proporções. Foi em Mariana que tivemos o privilégio de conhecer um artista plástico de origem libanesa do lado paterno e francesa, da parte materna, porém dotado de uma brasilidade que inibe o mais nato dos brasileiros, e que consegue traduzir como um grande mestre, as singelezas e as belezas peculiares e estonteantes da região.
Trata-se do ELIAS LAYON, pintor e escultor dos mais completos deste nosso Brasil de hoje, do qual, além da profícua e magnífica produção artística, louvamos também o esforço na conservação e restauração de obras de arte antigas.
 
  Virgínia e Elias Layon com N.Sra do Rosário em madeira natural
           
     
           
    São Miguel Arcanjo em madeira policromada   São Francisco de Assis em madeira policromada
           
               
Detentor de grande sensibilidade e profundamente identificado com as manifestações religiosas locais, as suas telas mostram com maestria as Procissões de Ouro Preto e de Mariana, descortinando o casario, as igrejas e as ruas enladeiradas e sinuosas dessas cidades, encobertas enigmaticamente por uma misteriosa bruma típica das cidades ouropretana e marianense. Esta temática religiosa encontra nele a sua maior expressão.
Além disso, a sua familiaridade com os costumes e hábitos dos moradores da região e com a acidentada topografia local, dá ao seu trabalho um colorido e um toque muito especiais. É o que sentimos quando nos deparamos com pinturas que retratam cenas do quotidiano ambientadas nas ruas das cidades e nas montanhas decoradas com igrejas majestosas e uma vegetação singular.
O seu trabalho de escultor sacro, ainda que mais recente do que a sua pintura, insere-se na melhor tradição artística de Minas Gerais. Com a sua largueza de visão e sua capacidade interpretativa, ELIAS LAYON compreendeu a realidade de Minas Gerais e a transformou em objeto de trabalho. Sua sensibilidade, aliada à sua erudição artística e sua aptidão extraordinária constituem contributos densos e importantes para a compreensão da grandeza de Minas Gerais e de sua pequena-grande Mariana.
Profundo conhecedor das técnicas e materiais utilizadas pelos grandes mestres do barroco mineiro como Antônio Francisco Lisboa, Manoel da Costa Ataíde, Francisco Vieira Servas, entre tantos outros, neles embebeu-se ELIAS LAYON como vectores propulsores de sua transbordante veia artística. Partindo desses elementos informadores, ele foi capaz de criar um estilo próprio, conhecido como neo-barroco mineiro, sedutor, dinâmico, poético e transcendental, apresentando uma talha de grande técnica, definição, amplitude, dramaticidade, beleza e movimento, enriquecida com uma policromia verdadeiramente esfuziante e bela!
Exemplos disso são as imagens de São Francisco de Assis e de São Miguel Arcanjo, aqui retratadas.
As observações histórico-sociais pelas quais passamos em rápidas pinceladas conduz-nos à compreensão, que ultrapassa a fronteira de qualquer nacionalidade, de que a evolução estética do artista está acima das variantes locais e o insere em um universo artístico mais geral e abrangente.
O neo-barroco de Elias Layon, em sua manifestação de magnificência, fertilidade de criação e multiplicidade de facetas, sofreu, sim, influência dos Mestres barrocos, mas libertando-se do modelo de antanho, criou esse artista um estilo personalíssimo e uma estética muito própria que o credenciam a ocupar um lugar de destaque no cenário nacional.
A viagem a Mariana foi surpreendente e memorável e reafirmou em nossa consciência a grandeza e a exuberância artística das Minas Gerais e do Brasil, para a qual certamente continua a contribuir Elias Layon com seu labor, criatividade, versatilidade e dedicação.

* Pedro e Virgínia Arruda são antiquários de Brasília e colaboradores de A Relíquia.
 
       

Fonte: Jornal A Relíquia | Autor: Vrigìnia e Pedro Arruda
Data da publicação no site: 2010-01-23
Painel eletrônico
© www.eliaslayon.com.br - 2009 - Todos os direitos reservados - Produção e criação www.marianacidade.com.br