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Titulo: A Religiosidade na Arte de Layon

O tema sacro é uma constante na obra de Elias Layon. Seja na escultura, seja na pintura, este universo é tratado pelo artista com muita sensibilidade e imaginação.

            Na pintura, Layon elege as grandes festas religiosas como tema principal para suas telas. Procissões que percorrem belos cenários coloniais, particularmente das cidades de Mariana e Ouro Preto, não só registram, mas evocam o sentido da vida religiosa dessas populações.
A expressão dessa vivência espiritual é traduzida pelo artista por uma luz diáfana que banha seus personagens, que aparecem como gráceis silhuetas envolvidas pelas brumas que descem sobre eles como uma madrugada eterna lançando-lhes uma benção divina.
Nas suas telas aparecem igrejas e edifícios coloniais que transmitem a grandiosidade dos ritos religiosos. Pinceladas sugestivas compõem as luzes e as cores que traduzem o espírito da devoção. O tremeluzir do brilho da suave luz que atravessa a neblina e a riqueza cromática das vestes dos personagens e dos tapetes desenhados no chão, atravessa suas pinturas fazendo dos acontecimentos religiosos uma verdadeira celebração não só da beleza espiritual, mas também da beleza plástica.
Também no trabalho escultórico Layon se destaca. Retomando características da estética barroca o artista cria personagens do universo cristão fazendo a matéria bruta se dobrar à sua imaginação e à beleza da forma artística. Grande conhecedor da anatomia humana, Layon sabe explorar a riqueza dos gestos, das expressões faciais, das torções musculares e transformar essa teatralidade corporal em expressão dos sentimentos espirituais dos personagens.
Nas suas esculturas uma sensualidade que permeia corpos, olhares que vão além de si mesmos, gestos e vestimentas que dançam sob a força do inefável nos seduzem levando-nos para espaços da sensibilidade e da intuição que ecoam uma realidade transcendente. A arte como forma ou manifestação sensível do invisível.
Se o verdadeiro artista é aquele que faz a matéria bruta ir além de si mesma, estamos, com certeza, falando de Elias Layon.
Por Jardel Dias Cavalcanti
Dr. em História da Arte e da Cultura pela UNICAMP

Prof. de História da Arte e Filosofia da Arte na UNIMESP (Universidade Metropolitana de São Paulo)

Fonte: www.eliaslayon.com.br | Autor: Jardel Dias Cavalcanti
Data da publicação no site: 2010-01-31
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