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Destaque em esculturas
 
Titulo: AS FLORES DO LAYON

Sou  a semente que protegida pela terra, dorme seu sono infantil habitado por duendes, fadas e anjos.
Não quero despertar, mas a vida me chama, pois a força da luz é maior e grita delicadamente, que tenho trabalho lá fora, no pulsar do correr do tempo.
Resisto, mas a força da natureza é mais forte e me sinto impulsionada a desabrochar, sem mesmo saber aonde vou surgir, o que vou ver ou viver.
Sei apenas que tenho latente em mim um potencial que deve emergir, que tenho que  continuar.
O sono acabou. Mas os sonhos não.
E com esta força, com medo e coragem, começo a me abrir e a subir.
Sinto alguma dificuldade em retirar do meu caminho o véu que me cobria e protegia, mas sigo em frente.
Uma aragem suave e fresca sopra em mim. Sinto uma claridade que não conhecia, que de mansinho  me toca, com carinho e ternura.
Vou continuando meu despertar, suavemente, para não sentir dor, pois o medo me acompanha nesta caminhada primeira.
Vejo então  uma luz que me aquece de uma maneira diferente do manto que me cobria, às vezes encharcado por uma água ao mesmo tempo quente e fria.
O calor do sol é diferente. Traz-me sensação de paz, força, energia, coragem e vontade de crescer, subir até o infinito.
Continuo acompanhada pelo medo cada vez mais forte, pois nem consigo imaginar para onde vou, porque vou ou o que vai ser de mim.
Mas algo no meio de mim me diz que é o que preciso, o que tenho que fazer. Crescer, crescer, crescer, sem saber de nada.
E sigo subindo, subindo, ora com luz, ora com um escurecer iluminado por um clarão prateado que nem sei bem o que possa ser.
Mais tarde, venho a saber da lua, amiga do sol , mas que nunca o vê, a não ser num eclipse em que se tocam e se amam intensamente , num momento muito fugaz, mas que os alimenta de uma sensação chamada AMOR.
Já estou crescida e consigo ver que tenho companhia. Outras como eu, algumas diferentes, mas todas belas e perfumadas, coloridas, formando um buquê imenso ao meu lado.
Balançamos ao vento, somos visitadas por  pequenos amigos que vêm buscar um néctar que oferecemos de bom grado, ou pequenas gotas de água em nossas pétalas deixadas pelo orvalho da noite ou da chuva amiga, que cai afagando a terra, nos dando mais força e energia para ficarmos ali, cumprindo nossa missão.
Trazer beleza, perfume, oferendas de amores e cores, saudades, mas principalmente representar o carinho, o afeto, o amor na flor.
Já não me importa mais saber o que possa ser isto que chamam de vida...
Já me basta estar ali, com todas e todos, seja lá porque motivo for.
E sinto que um enorme, um imenso amor, sem violência ou dor,  envolve-me com uma sensação de paz, alegria e vontade de fazer parte de tudo que me cerca.
Não pergunto mais a mim mesma, o porquê, o para quê de tudo, apenas sinto a vida. Compartilho, ajudo, envolvo-me, com medo e coragem. Às vezes com alegria, outras vezes um pouco saudosa e triste das que se foram, dos que não me visitam mais e que nem sei por onde estão.
Das que não agüentaram a chuva, que caiu mais forte, ou o vento, furioso brigando com o tempo, e  foram levadas enxurrada abaixo, deixando-se cair sem forças para lutar.
O tempo passa e já posso observar  coisas  que  não percebia  antes. Elas  me  trazem  melancolia,  tristeza  e dor,  sentimentos também  novos para mim.
Vejo  a   violência,  a  agressão, o  mal por  si  mesmo,  que parecem  fazer parte do que chamam o outro  lado da vida.
Todos  os  seres  temem a violência  que  é  algo contrário à vida,  contrário  à natureza.  A  raiva ,  o  ódio,  a  inveja  são  a  semente que levam à violência.
A violência  é  uma  raiva reprimida  que esconde um profundo sentimento  de  dor.
Ao  cobrir  nossas  feridas com a  raiva,  a  violência,  estamos impedindo que elas sejam curadas.  Ao agredir os outros,  impedimos  a  nós mesmos  de  receber o  alimento  afetivo de  que precisamos.
Quanta  ambição,   quanta  luta,  quanto conflito!
Mas quando a vida é fácil, quem se preocupa?  Se  meu jardim está tão florido o que  mais  me  preocupa?
Mas  quando   vem  o tempo  e  com ele suas mudanças, - que por vezes nos trazem dor e sofrimento- ,  não aceitamos  e  a  violência aparece dentro de cada um e como uma represa que  se  rompe,  deixa  inundar todos os jardins.
Agora sei também que  existe  o  momento de  florescer,  o de deixar as folhas caírem  e de se erguerem  nuas ao céu.  Esperar   pela   nova  folhagem,  com confiança.
O  alvorecer  nunca  está longe,  mas a noite  escura precisa  ser atravessada  antes de que nos seja possível  alcançar  o nascer do dia.
Temos que aprender a aceitar a vida tal qual ela é e ser feliz sem qualquer  razão.
Uma tristeza funda  tomou conta de mim,  ao ficar consciente do mal que por vezes envolve o meu jardim.
Mas  me sinto pronta para tomar responsabilidade pela criação de minha própria alegria,  felicidade, negatividade,  inferno  e  paraíso
Sobreviventes -como eu- continuam a jornada.
Coloridas de amor, fraternas, amigas, ajudando-se. Recebendo e dando muito, muito amor, envolvidas por um universo estrelado e aquecido pelo irmão sol e pela irmã lua.
Coroadas pela Divina Graça do Grande Mistério, nosso Pai,  nosso Deus, que nos guia, protege e ama incondicionalmente, apenas desejando de nós que o amor, a compaixão e a caridade habitem em nossos corações. Envolvendo-nos numa missão maior: amar, amar, amar, sempre. Compartilhando, sem mágoas, rancor, violência e ressentimentos,  o que não podemos compreender: O grande mistério da vida...
 

Fonte: www.eliaslayon.com.br
Autor: Sheila Maris - Data da publicação no site: 2010-01-20
 
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