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I
a longa mão
alonga os dedos
ao longo dos olhos:
o pincel!
II
faz céu sem sol
(no sal das horas)
III
se a nave incensa
(seus incensórios)
a névoa evola:
cidade mística!
IV
(memória viva
Mariana agora)
V
faz nuvem densa
ou chuva intensa
VI
antigos sobrados
de velhos telhados
igrejas barrocas
museus chafarizes
pessoas nas ruas
detalhes reflexos
lusco-fusco sombras
lampiões noturnos
:
da tela branca
o Artista arranca
um Colonial
transcendental!
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VII
o que não se vê
neste pelourinho
pinta-se no fundo
da nossa psiquê:
o negro que geme
no gume que insulta
( o negro que brame
na bruma se oculta )
:
na tela negra
LAYON renega
mesmo em pintura
o fel da injúria!
VIII
e tanto tenta
e inventa a tinta
que encontra o tom
que a cor assenta
e a forma apura
camada fina
mágica pura
daquele que pinta
a bruma e a neblina:
o mestre LAYON!