As brumas, chamadas névoas nestas terras,
descem até os telhados ancestrais
das ancestrais cidades de Minas
e cobrem as ruas, as montanhas, as pessoas
como os trajes sonhados pelas noivas virginais:
transparentes, leves e misteriosos véus
deixando apenas as formas, os vultos
do que realmente é...
Paisagem tão típica destas terras
por serem cercadas pelas serras,
sentinelas eternas e vestais,
as brumas transcendem as tempestades
pois umedecem e trazem poesias em plenitude
aos olhos do poeta...
Mulheres nas janelas, cidade triste
como se chorasse sem razão nenhuma.
Crianças prisioneiras de paredes e roupas
que não entendem mas acham lindas
as brumas lá fora...
Mãos hábeis, pincéis diversos, cores mil
e um artista pensando nas formas quase sem formas
das neblinas escorrendo pelo ar
do branco quase transparente inundando a praça
da eternidade do frio e da poesia
do vestido de noiva da natureza
da transparência sensual do dia
da noite mais fria e excitante...
E o poeta-pintor traça os primeiros riscos
do que será uma tela mostrando as brumas:
brumas de Londres, brumas de Avalon?
Não, as brumas leves e suaves que encontram
os olhos de quem pára diante da tela
e observa, pela primeira vez, depois de tantas brumas
que o envolveram, que até o surpreenderam pela beleza,
uma perspectiva das brumas de Layon!
Para meu amigo Elias, com carinho, pelo excelente trabalho que realiza, traduzindo nas telas virgens, a paisagem das brumas que envolvem nossas cidades tantas vezes.
25.02.1998.
Fonte: www.eliaslayon.com.br
Autor: Elisabeth Maria de Souza Camilo -Data da publicação no site: 2010-01-20